Diálogo de Justino Mártir com Trifão 57
Quando me calei, Trifão disse:
— De fato, a Escritura nos obriga a admitir o que nos dizes. Contudo, também concordarás que apresenta uma verdadeira dificuldade o que se diz sobre o fato de ele comer o que Abraão lhe preparou e apresentou.
Eu lhe respondi:
— De fato, está escrito que comeram. E se entendemos que refere isso aos três e não só aos dois, que eram realmente anjos e, como é claro para nós, se alimentam no céu, embora não comam os mesmos alimentos que nós, homens, usamos (com efeito, sobre o maná, com o qual vossos pais se alimentaram no deserto, a Escritura diz que comeram pão dos anjos). Portanto, fala-se dos três, e eu diria que a passagem em que se diz ter comido, deve ser entendida como quando dizemos libdo fogo que o devorou ou o consumiu inteiramente, mas de modo algum como se estivessem mastigando com a boca e os dentes. De modo que, com um pouco de prática da linguagem figurada, não há necessidade de ver nenhuma dificuldade aqui.
Trifão replicou:
— Talvez a solução da dificuldade esteja no modo de comer, segundo o qual, pelo fato de ter sido consumido o que Abrão lhes preparou, está escrito que comeram. Agora comece a nos dar a razão de como esse que apareceu como Deus a Abraão e é ministro do Deus do universo, gerado de uma virgem, nasceu, como disseste antes, na forma de homem, sujeito aos sofrimentos dos outros homens.
Eu respondi:
— Trifão, permite que eu antes reúna algumas outras provas sobre este assunto, a fim de que também se-jais persuadidos disso, e logo te darei essa prova que me pedes.
Ele disse:
— Faze como quiseres. Com efeito, farás para mim coisa muito desejável.