Diálogo de Justino Mártir com Trifão 97
Alusão do AT à paixão de Cristo
Também não foi por acaso que o profeta Moisés permaneceu até a tarde mantendo a figura da cruz, quando Hor e Aarão lhe sustentavam os braços, pois também o Senhor permaneceu sobre a cruz até quase o entardecer; e pelo entardecer o sepultaram, para ressuscitar no terceiro dia. Isso foi assim expresso por Davi: “Com a minha voz gritei ao Senhor, e ele me ouviu do seu monte santo. Eu adormeci e o torpor se apoderou de mim. Levantei-me, porque o Senhor me protegeu”.
Da mesma forma, Isaías disse sobre o modo como Cristo deveria morrer: “Estendi as minhas mãos a um povo que não crê e que contradiz, aos que andam por um caminho que não é bom”. E o próprio Isaías diz que ele haveria de ressuscitar: “Sua sepultura será tirada do meio” e “darei os ricos em troca da sua morte ”.
Em outra passagem, no salmo 22, Davi também alude à paixão e à cruz, numa comparação misteriosa: “Perfuraram minhas mãos e meus pés, e contaram um por um todos os meus ossos. Eles me consideraram e contemplaram. Dividiram entre si as minhas roupas e sobre a minha túnica lançaram sortes.” Com efeito, quando o crucificaram, ao cravar-lhe os cravos, perfuraram-lhe as mãos e os pés. E os mesmos que o crucificaram repartiram entre si as roupas dele, cada um lançando a sorte sobre o que queria escolher.
Também dizeis que este salmo não se aplica a Cristo, pois estais completamente cegos e não percebeis que a ninguém do vosso povo, que tenha tido o título de rei, perfuraram as mãos e os pés enquanto estava vivo, nem morreu por este mistério, isto é, crucificado, mas apenas esse Jesus.