Diálogo de Justino Mártir com Trifão 91

A cruz: instrumento de conversão e salvação

Para dar a entender por outro sinal o poder do mistério da cruz, Deus formulou através de Moisés a bênção com que abençoou José: “Da bênção do Senhor a terra dele, das estações do céu, dos orvalhos e das fontes do abismo subterrâneo, dos frutos conforme os giros do sol e das conjunções dos meses, do cume dos montes antigos, do cimo das colinas, dos rios perenes e da plenitude dos frutos da terra. O beneplácito daquele que apareceu na sarça sobre a cabeça de José e sobre a sua fronte. Primogênito entre seus irmãos, ele é glorificado. Sua beleza é a do touro, seus chifres são os chifres do unicórnio; com eles chifrará o conjunto das nações até as extremidades da terra ”.
Pois bem. Não se pode dizer que os chifres do unicórnio formem figura diferente da cruz. Com efeito, uma haste da cruz se ergue verticalmente e dela surge a parte superior, quando se ajustou a haste transversal. Seus extremos aparecem de um lado e de outro, como chifres unidos em um único chifre. Além disso, a estaca, que se ergue no meio e sobre a qual se apóia o corpo do crucificado, também é como um chifre saliente. Este também aparenta-se com um chifre, configurado e cravado com outros chifres.
Quando se diz: “Com eles chifrará todas as nações em conjunto até as extremidades da terra”, manifestava-se o que agora se realizou em todas as nações. De fato, chifradas, isto é, compungidas por esse mistério da cruz, pessoas de todas as nações se converteram ao culto a Deus, abandonando seus ídolos vãos e demônios. Por outro lado, o mesmo sinal se manifesta como maldição e condenação aos incrédulos, do mesmo modo como, tendo o povo saído do Egito, Amalec era derrotado e Israel vencia por causa da figura formada pelos braços estendidos de Moisés e pelo nome de Jesus dado ao filho de Nave.
Também aquela outra figura e sinal contra as serpentes que picaram Israel evidentemente foi instituído para salvação dos que crêem que, desde aquela época, foi anunciada a morte da serpente através daquele que deveria ser crucificado, e a salvação daqueles que, picados por ela, se refugiam naquele que enviou seu Filho ao mundo para ser crucificado. O Espírito profético, de fato, não pretendia ensinar-nos, através de Moisés, a depositar nossa numa serpente. Tanto que nos manifesta como ela foi amaldiçoada por Deus desde o princípio e, em Isaías, nos a entender que será morta como inimiga pela grande espada, que é Cristo.