Diálogo de Justino Mártir com Trifão 89

A cruz: obstáculo à fé messiânica

Trifão replicou:
Sabes muito bem que o nosso povo todo espera pelo Cristo. Também te concedemos que todas as passagens das Escrituras, que citaste, se referem a ele. Eu pessoalmente te declaro também que o nome de Jesus dado ao filho de Nave levou-me a ceder também nesse ponto.
O que duvidamos é que o Cristo tivesse de morrer tão vergonhosamente, pois na lei se diz que é maldito aquele que morre crucificado. De modo que, por enquanto, é muito difícil para mim convencer-me disso. Que as Escrituras tenham anunciado um Cristo passível é evidente. O que desejo saber, se tiveres um argumento a demonstrar, é o fato de que ele teria que sofrer um suplício que está maldito na lei.
Eu respondi:
Se Cristo não tivesse que sofrer; se os profetas não tivessem predito que, por causa das iniquidades do seu povo, teria de ser levado à morte, ser desonrado, açoitado, contado entre os malfeitores e levado como ovelha ao matadouro ele, cuja origem o profeta disse que ninguém seria capaz de explicar —, haveria motivo para maravilhar-se. Contudo, se é isso que o distingue e o mostra para todo mundo, como nós também não creríamos nele com toda segurança? Todos os que ouvem as palavras dos profetas, logo que ouvem que ele foi crucificado, dirão que este é o Cristo e não outro.