Diálogo de Justino Mártir com Trifão 53

As palavras: “Amarrará o jumentinho à videira e à parreira o filhote de sua jumenta” antecipavam a manifestação das obras que ele realizaria em sua primeira vinda e também da que as nações nele teriam. Estas eram, com efeito, como jumentinhos sem sela e que não gostam de jugo sobre seu pescoço, até que, chegando Cristo e enviando-as aos seus discípulos, ensinou-lhes sua doutrina e, carregando o jugo de sua palavra, submeteram suas costas a suportar tudo pelos bens que esperam e lhes foram por ele prometidos.
E quando nosso Senhor Jesus Cristo estava para entrar em Jerusalém, mandou que seus discípulos lhe levassem uma jumenta que estava realmente amarrada com seu jumentinho à entrada de certa aldeia, chamada Betfagé, e sentado sobre ele entrou em Jerusalém. Visto que estava expressamente profetizado que este fato cumprir-se-ia no Cristo, cumprido e dado a conhecer por meio dele, tornou manifesto que ele era o Cristo. Todavia, apesar de todos esses fatos e de todas as demonstrações das Escrituras, vós permaneceis obstinados em vossa dureza de coração.
O fato foi profetizado por Zacarias, um dos doze. Isso aconteceria assim: “Alegra-te muito, filha de Sião; grita de júbilo e anuncia, filha de Jerusalém. Eis que o teu rei vem a ti, justo e salvador, manso e pobre, montado sobre um animal de carga, sobre um filhote de jumenta”.
E o fato de que o Espírito profético mencione a jumenta, animal de carga, junto com seu jumentinho, e que ambos sejam posse de Cristo, segundo o patriarca Jacó, e que, por outro lado, como referi, ele tenha mandado que seus discípulos lhe levassem os dois animais, era uma profecia sobre aqueles que, junto com os que procedem das nações, haveriam de crer também de vossa Sinagoga. Com efeito, assim como o jumentinho sem sela era símbolo dos que vinham da gentilidade, a jumenta com sua sela era símbolo daqueles que vinham de vosso povo, pois vós carregais a lei pregada pelos profetas.
Mas também por meio do profeta Zacarias foi profetizado que Cristo seria ferido e que os seus discípulos seriam dispersos, e isso de fato se cumpriu. Com efeito, depois que ele foi crucificado, os discípulos, que tinham vivido com ele, se dispersaram até que ele ressuscitou dos mortos e os convenceu de que fora profetizado que ele tinha que sofrer. Persuadidos, eles então saíram por todo o orbe da terra e ensinaram essas coisas.
Por isso, também nós nos sentimos firmes na sua e doutrina, pois nossa convicção fundamenta-se nos testemunhos dos profetas e no fato de que, por toda a extensão da terra, vemos os que se converteram em homens religiosos no nome daquele crucificado. As palavras da profecia de Zacarias são estas: “Espada, desperta-te contra o meu pastor e contra o homem do meu povo, diz o Senhor dos exércitos. Fere o pastor, e suas ovelhas se dispersarão”.