Diálogo de Justino Mártir com Trifão 48

Preexistência e divindade de Cristo

Trifão continuou:
ouvimos o que pensas sobre isso. Retoma o teu discurso onde havias parado e termina-o. Com efeito, ele me parece contraditório e absolutamente impossível de demonstrar, pois dizer que esse vosso Cristo preexiste como Deus antes dos séculos e que depois dignou-se nascer como homem e não é homem que venha dos homens, não me parece absurdo como também insensato.
Ao que respondi:
Sei que meu discurso parece absurdo, principalmente para os de vossa raça, pois jamais quisestes entender nem praticar as coisas de Deus, mas as de vossos mestres, como o próprio Deus clama. Todavia, Trifão, mesmo que eu não pudesse demonstrar que o Filho do Criador do universo preexiste como Deus e que nasceu como homem de uma virgem, nem por isso deixa de ser provado que Jesus é o Cristo de Deus. Pelo contrário, está totalmente demonstrado que ele é o Cristo de Deus, seja qual for a sua natureza. Se eu não conseguir demonstrar a sua preexistência e que, conforme o desígnio do Pai, ele se dignou nascer com as nossas mesmas paixões, revestido de carne, o justo seria dizer que eu errei em minha demonstração e não negar que ele é o Cristo, mesmo que se tivesse feito homem nascido de homens e se demonstrasse que somente por eleição se tivesse tornado Cristo.
Com efeito, amigos, alguns de vossa descendência que confessam Jesus como o Cristo, mas afirmam que ele é homem nascido de homem. Não estou de acordo com eles, mesmo que a maioria dos que pensam como eu dissessem isso. De fato, o próprio Cristo não nos mandou seguir ensinamentos humanos, mas aquilo que os bem- aventurados profetas pregaram e ele próprio ensinou.