Diálogo de Justino Mártir com Trifão 33

Continuei:
Não ignoro que tendes a ousadia de interpretar esse salmo como se fosse dito para Ezequias.
Todavia, pelas próprias palavras do salmo, eu vos quero logo demonstrar que estais enganados. Nele se diz: “O Senhor jurou e não se arrependerá.” E: “tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec.” E o que vem depois e o que antecede. Ora, Ezequias não foi sacerdote, nem continua sendo sacerdote eterno de Deus. Vós não ousaríeis contradizê-lo. Em troca, que isso seja dito a respeito do nosso Jesus, as próprias palavras o dão a entender. Os vossos ouvidos, porém, estão entupidos e os vossos corações estão endurecidos.
Com efeito, pelas palavras: “O Senhor jurou e não se arrependerá: tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec”, deixou claro que, por causa de vossa incredulidade, Deus o constituiu sacerdote com juramento, segundo a ordem de Melquisedec. Isto é: assim como Moisés descreve que Melquisedec foi sacerdote do Altíssimo e sacerdote dos incircuncisos e que ele abençoou Abraão na circuncisão, quando este lhe ofereceu os dízimos, da mesma forma deu a entender que constituirá Jesus como seu sacerdote eterno, a quem o Espírito Santo e sacerdote dos incircuncisos chama Senhor, e que ele receberá e abençoará os da circuncisão que dele se aproximarem, isto é, que creiam nele e busquem as suas bênçãos.
Finalmente, as últimas palavras do salmo mostram que ele primeiro devia aparecer humilde como homem e depois seria exaltado: “No caminho beberá da torrente”; e ao mesmo tempo: “Por isso, levantará a cabeça”.