Diálogo de Justino Mártir com Trifão 31

Se agora vemos que houve e continua havendo um grande poder pela economia de sua paixão, que poder não terá com a sua vinda gloriosa? De fato, ele deverá vir como Filho do Homem, sobre as nuvens, em companhia dos anjos, como disse Daniel.
Tais são as palavras do profeta: “Eu estava olhando, até que foram colocados assentos e o Ancião dos dias se assentou. Trazia uma roupa branca como a neve e os cabelos de sua cabeça eram como limpa; seu assento era como chama de fogo e suas rodas como fogo ardente. Um rio de fogo corria, saindo de sua frente. Milhares de milhares o serviam e dez vezes dez mil o assistiam. Foram abertos livros e estabeleceu-se o julgamento.
Eu então prestava atenção à voz das grandes palavras que o chifre falava. A besta foi morta a pauladas, seu corpo pereceu e foi entregue como pasto para o fogo. Também das outras bestas foi tirado o império, embora se lhes tenha deixado a vida até a ocasião e o tempo. Eu olhava na visão da noite e eis que sobre as nuvens do céu se aproximava alguém semelhante a um Filho de Homem. Ele foi até o Ancião dos dias, parou em sua frente e os assistentes o apresentaram ao Ancião.
Então foi-lhe dado poder e honra régia, assim como todas as nações da terra, segundo suas descendências, e toda a glória que o serve. Seu poder é poder eterno e não lhe será tirado; o seu reino não será destruído. Meu espírito estremeceu dentro de mim e as visões de minha cabeça me perturbavam. Então me aproximei de um dos assistentes e lhe pedi a explicação exata de todas essas coisas. Em resposta, ele me disse, manifestando a mim o julgamento das palavras: ‘Essas quatro grandes bestas são quatro reinos que serão aniquilados da terra e não receberão o reino neste século, nem pelos séculos dos séculos’.
Então eu quis saber exatamente sobre a quarta besta, aquela que destruía tudo e era muito espantosa, cujos dentes eram de ferro e unhas de bronze. Era aquela que comia, despedaçava e pisava com os pés as sobras. Quis saber também sobre os dez chifres em sua cabeça e sobre aquele outro que nasceu, pelo qual caíram os outros três. Esse chifre tinha olhos e boca que falava arrogâncias; sua aparência sobrepujava a dos outros. Considerei que esse chifre fazia guerra contra os santos e os derrotava, até que veio o Ancião dos dias e deu o julgamento aos santos do Altíssimo; o tempo veio e os santos do Altíssimo mantiveram o seu reino.
A respeito da quarta besta foi- me dito o seguinte: ‘Haverá um quarto reino sobre a terra, que será diferente de todos esses reinos; devorará toda a terra, devastando-a e despedaçando-a. Os dez chifres são dez reinos que se levantarão, e outro depois deles, que superará em maldade aos primeiros, humilhará três reis, falará mal contra o Altíssimo, destruirá os santos do Altíssimo que ficarem, pretenderá mudar os movimentos e os tempos, e serão entregues em suas mãos por tempo e tempos e metade de tempo.
E estabeleceu-se o julgamento e lhe tirarão o império para destruí-lo e aniquilá-lo até o fim. E o reino, o poder e a grandeza dos territórios dos reinos sob o céu foram dados ao povo santo do Altíssimo, para reinar como reino eterno. Todos os poderes se submeterão a ele e lhe obedecerão’. Aqui terminaram suas palavras. Eu, Daniel, fiquei muito impressionado com o êxtase, minha cor mudou e eu guardei tudo em meu coração.