Diálogo de Justino Mártir com Trifão 30

Digressão sobre a parusia

Em troca, deveis acusar vossa própria maldade, pelo fato de que Deus fique exposto às calúnias dos que não têm inteligência e pensam que ele não ensinou sempre a mesma justiça para todos. O fato é que a muitos homens pareceram sem razão e indignos de Deus tais ensinamentos da lei, por não terem recebido a graça de reco-nhecer que, por meio deles, Deus chamou para a conversão e a penitência o vosso povo inclinado à maldade e espiritualmente enfermo. A doutrina dos profetas, que veio depois da morte de Moisés, é eterna.
Isso mesmo, senhores, é dito no salmo ;e que nós, que alcançamos a sabedoria por meio deles, confessamos que as sentenças de Deus são mais doces do que o mel e o favo, se manifesta no fato de que, mesmo ameaçados de morte, não negamos o seu nome. Todos sabem que nós, que nele cremos, pedimos que ele nos preserve dos estranhos, isto é, dos espíritos maus e enganadores, como diz a palavra do profeta, na pessoa de um dos que nele crêem.
Com efeito, sempre rogamos a Deus por meio de Jesus Cristo para que seja-mos preservados dos demônios, que são estranhos à pieda- de de Deus, e que adorávamos antigamente, a fim de que, depois de nos convertermos a Deus, por meio de Jesus Cristo, sejamos irrepreensíveis. Com efeito, chamamos de auxiliador e redentor nosso aquele cujo nome faz estremecer até os demônios, os quais hoje mesmo se submetem, conjurados pelo nome de Jesus Cristo, crucificado sob Pôncio Pilatos, procurador na Judéia. De modo que assim se torna claro para todos que seu Pai lhe concedeu tal poder, que em seu nome e pela economia de sua paixão até os demônios se submetem.