Diálogo de Justino Mártir com Trifão 137
Irmãos, não faleis mal daquele Jesus que foi crucificado, nem zombeis de suas feridas, pelas quais todos podem ser curados, como também nós o fomos. Seria bom que, seguindo as palavras da Escritura, cricuncidásseis a vossa dureza de coração, circuncisão que não tendes por uma resolução interior. Com efeito, a circuncisão foi dada como sinal, não como obra de justiça, como as Escrituras nos forçam a admitir.
Portanto, não para injuriar o Filho de Deus, nem jamais caçoeis do rei de Israel, seguindo os vossos mestres fariseus. Assim os presidentes de vossas sinagogas vos ensinam depois da oração. Se aquele que toca os que agradam a Deus é como se tivesse tocando a Deus na pupila dos olhos, muito mais aquele que toca em seu Amado. E que Jesus seja o Amado de Deus, já foi suficientemente demonstrado.
Como ficassem calados, eu continuei:
— Amigos, agora cito para vós as Escrituras como foram interpretadas pelos Setenta. Com efeito, antes eu as citei como vós as tendes, para provar que opinião tínheis sobre o ponto particular. Ao trazer-vos a passagem: “Ai deles! Porque formaram um desígnio mau contra si mesmos, dizendo…”. Continuei depois conforme os Setenta: “Eliminemos o justo, porque ele nos é molesto”. Em troca, no começo de nossa conversa, eu vos citei como quereis que tenha sido dito: “Amarremos o justo, porque ele nos é molesto”.
Contudo, vós vos distraístes com alguma outra coisa e parece que ouvistes as minhas palavras sem compreendê-las. Agora, porém, como o dia está para terminar e o sol vai chegando ao poente, vou acrescentar um só ponto ao que já disse e terminarei o meu discurso. É claro que o que já está contido no que disse antes, mas parece-me justo repeti-lo novamente.