Diálogo de Justino Mártir com Trifão 128
Demonstrei profundamente que Cristo, que é Senhor e Deus, Filho de Deus, antes apareceu prodigiosamente como Homem, como Anjo e também na glória do fogo, como na visão da sarça e no julgamento de Sodoma. Todavia, citei novamente tudo o que tinha escrito antes, tomado do Êxodo, tanto sobre a visão da sarça, como sobre o nome de Jesus, e continuei:
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Amigos, não penseis que estou repetindo tudo isso muitas vezes por puro palavreado, mas porque sei que alguns querem prever a minha interpretação, dizendo que a Potência que aparece a Moisés, a Abraão ou a Jacó, da parte do Pai de tudo, chama-se Anjo quando vem aos homens, porque, por meio dela, as mensagens do Pai são trazidas aos homens, e chama-se glória, porque às vezes aparece em grandeza imensa; outras vezes recebe o nome de Varão e Homem, porque aparece nessas formas, segundo a vontade do Pai; chama-se Palavra, porque leva aos homens o que o Pai lhes fala.
Essa Potência seria inseparável e indivizível do Pai, como dizem, da mesma forma que a luz do sol, que ilumina a terra, é inseparável e indivizível do sol que está no céu. E como este, no poente, leva consigo a luz, assim também, conforme essa teoria, quando o Pai deseja, ele faz saltar de si certa Potência e, quando quer, novamente a recolhe a si. Ensinam que ele cria os anjos também desse modo.
Que existem os anjos e que são seres permanentes e não se reduzem àquilo de que tiveram princípio, são coisas já demonstradas. Embora brevemente, antes eu também examinei a questão de que essa Potência, que a palavra profética chama ao mesmo tempo Deus e Anjo, e isso já demonstramos amplamente, não só é distinta pelo nome, como a luz se distingue do sol, mas é também numericamente outra e então disse que essa Potência é gerada pelo Pai, pelo seu poder e vontade, mas não por cisão ou corte, como se a substância do Pai se dividisse, da mesma forma que todas as outras que se dividem ou cortam não são as mesmas antes e depois de se dividirem. Dei então o exemplo de como vemos os fogos se acenderem a partir de outro e como, todavia, não diminui nada daquele do qual muitos outros podem se acender, mas permanece o mesmo.