Diálogo de Justino Mártir com Trifão 116

Contudo, para falar sobre a revelação feita sobre Jesus Cristo, o Santo, tomo novamente a palavra do profeta e afirmo que essa revelação se cumpriu também em nós, que pusemos a nossa nesse Sumo Sacerdote crucificado. De fato, nós que vivíamos entre fornicações e simplesmente em todo tipo de ações sujas, com a ajuda da graça que nos veio de nosso Jesus, por vontade de seu Pai, nos despojamos de todas as impurezas de que estávamos vestidos. O diabo nos ataca como eterno adversário e quer arrastar a todos nós para si; mas o anjo do Senhor, isto é, a força de Deus que nos é enviada por Jesus Cristo, o repreende e ele se afasta de nós.
Nós fomos como que tirados do fogo, primeiro purificados de nossos pecados passados e depois libertos da tribulação e incêndio em que o diabo e todos os seus ministros querem nos abrasar. Todavia, também das mãos desses nos arranca Jesus, Filho de Deus, que nos prometeu, se guardarmos os seus mandamentos, vestir-nos com as vestes que preparou para nós e também preparar-nos um reino eterno.
Com efeito, da mesma forma que aquele Jesus, a quem o profeta chama sacerdote, apareceu com vestes sujas por ter tomado como esposa uma prostituta, como se diz, mas depois foi chamado de tição tirado do fogo por ter recebido o perdão de seus pecados e ter sido repreendido o diabo que se lhe opunha, nós também, que cremos como um homem no Deus criador do universo, pelo nome de seu Filho primogênito, nós nos despojamos de nossas vestes sujas, isto é, de nossos pecados. E abrasados pelas palavras do seu chamamento, somos a verdadeira descendência dos sumos sacerdotes de Deus, como o próprio Deus o atesta, dizendo que em todo lugar nas nações nós lhe oferecemos sacrifícios agradáveis e puros. Ora, Deus não aceita sacrifícios de qualquer um, a não ser de seus sacerdotes.