Diálogo de Justino Mártir com Trifão 101
Comentários ao salmo 22:5-9
O salmo continua: “Em ti esperaram os nossos pais; esperaram, e tu os livraste. Clamaram a ti e se salvaram; esperaram em ti e não se envergonharam. Eu, porém, sou um verme, e não um homem, zombaria dos homens e desprezo do povo”. Assim foi demonstrado que ele reconhecia como pais os que esperaram em Deus e foram por ele salvos, aqueles que foram pais da virgem, da qual ele nasceu feito homem; ao mesmo tempo, dá a entender que ele próprio será salvo por Deus, mas não se gloria de fazer nada por sua própria vontade ou força.
Foi assim que ele próprio fez quando esteve na terra. De fato, quando alguém lhe disse: “Bom Mestre”, ele respondeu: “Por que me chamas bom? Somente um é bom: o meu Pai que está nos céus”. Quanto às palavras: “Eu, porém, sou um verme, e não um homem, zombaria dos homens e desprezo do povo”, são uma predição do que realmente está acontecendo; de fato, há zombaria em todo lugar para nós, homens que nele cremos; e chama-se desprezo do povo porque, desprezado e desonrado pelo povo, sofreu tudo o que fizestes com ele.
A frase seguinte: “Todos os que me contemplavam zombaram de mim; falaram com seus lábios e moveram a cabeça: ‘Esperou no Senhor, que ele o livre e salve, pois lhe quer bem’ ”, é igualmente clara predição do que aconteceu. Com efeito, os que o olhavam crucificado moviam suas cabeças, retorciam os lábios, esfregavam o nariz, dizendo sarcasticamente entre si o que está escrito nas Memórias dos Apóstolos: “Dizia-se Filho de Deus. Que desça da cruz e ande. Que Deus o salve o.