Diálogo de Justino Mártir com Trifão 44
Desse modo, colocando todo o meu empenho em vos convencer com as minhas demonstrações, ficarei inteiramente sem culpa em relação a vós. Todavia, se vós, permanecendo na dureza de coração ou fracos na convicção por medo da morte decretada contra os cristãos, não quiserdes abraçar a verdade, toda a culpa será vossa e vos enganareis a vós mesmos, imaginando que, por ser descendência de Abraão segundo a carne, estais seguros de alcançar os bens que Deus prometeu conceder por meio de Cristo.
Porque ninguém receberá nenhum desses bens de parte alguma, a não ser os que pela fé se assemelharem em sentimentos a Abraão e reconhecerem os mistérios todos, isto é, reconhecerem que alguns mandamentos foram dados a vós para cultuar a Deus e praticar a justiça, outros para anunciar misteriosamente a Cristo, ou por causa da dureza de coração do vosso povo. Que isso seja assim, o próprio Deus o disse em Ezequiel, falando deste modo: “Ainda que Jacó e Noé peçam por seus filhos ou suas filhas, não lhe serão dados”.
Com relação ao mesmo assunto, em Isaías ele diz assim: “Disse o Senhor Deus: Sairão e verão os membros dos homens que pecaram. Porque o verme deles não morrerá e seu fogo não se extinguirá, se tornarão espetáculo para o mundo todo”.
De modo que, cortada de vossas almas essa esperança, vós deveis esforçar-vos para conhecer através de qual caminho virá até vós o perdão dos pecados e a esperança de herdar os bens prometidos. Esse caminho não é outro senão o de reconhecer a Jesus como Cristo, lavar-vos no banho que o profeta Isaías anunciou para a remissão dos pecados e, doravante, viver sem pecar.