Diálogo de Justino Mártir com Trifão 132

Apesar disso, fabricastes o bezerro de ouro e fornicastes com as filhas dos estrangeiros, entregando-vos com afã à idolatria; e mesmo depois, quando vos havia sido entregue a terra com tão grande prodígio. De fato, vós mesmos contemplastes o sol parar, por ordem daquele homem que recebeu o nome de Jesus, e não se pôs durante trinta e seis horas, e outros prodígios que foram feitos em vosso favor conforme o tempo oportuno. Parece-me agora oportuno recordar apenas mais um, porque contribui para que compreendais Jesus, o qual reconhecemos como Cristo, Filho de Deus, ele que foi crucificado, ressuscitou, subiu aos céus e que virá novamente para julgar todos os homens sem exceção, inclusive o próprio Adão.
Eu continuei:
Vós sabeis que, quando a tenda do testemunho foi roubada pelos habitantes de Azoto, inimigos do povo de Israel, e eles foram feridos por uma praga terrível e incurável, decidiram colocá-la sobre um carro, ao qual atrelaram novilhas com crias recentes, pois queriam uma prova de que tinham sido feridos pelo poder de Deus por causa da tenda do testemunho e se, de fato, Deus queria que ela fosse devolvida ao lugar de onde a tinham roubado.
Feito isso, as novilhas, sem que ninguém as guiasse, não foram para o lugar de onde a tenda tinha sido tirada, mas para o campo de um homem chamado Ausés, o mesmo nome daquele cujo nome foi mudado para Jesus, como foi dito, e que introduziu o povo na terra e a distribuiu através de sorteio. Chegando ao campo de Ausés, elas pararam. Isso demonstrava que elas foram guiadas pela força do nome, do mesmo modo como o povo, que havia restado dos que saíram do Egito, foi guiado para a terra por aquele que recebeu o nome de Jesus e antes se chamava Ausés.