1 Apologia de Justino Mártir 9

Vaidade da idolatria

Também não honramos, com muitos sacrifícios e coroas de flores, esses que os homens, depois de dar-lhes forma e colocá-los nos templos, chamam de deuses. Com efeito, sabemos que são coisas sem alma e mortas, que não têm forma de Deus. Nós não cremos que Deus tenha semelhante forma, que alguns dizem imitar para tributar-lhes honra. Na verdade, o nome e figura que levam são daqueles maus demônios que um dia apareceram no mundo.
Por acaso, é preciso explicar-vos, se o sabeis, a maneira como os artesãos dispõem a matéria, ora polindo e cortando, ora fundindo e cinzelando?
Não consideramos isso irracional, mas também um insulto a Deus, pois, tendo ele glória e forma inefável, dá-se o nome de Deus a coisas corruptíveis e que necessitam de cuidado. Muitos, apenas mudando a figura e dando forma conveniente através da arte, dão o nome de deus àquilo que serviu de instrumento ignominioso.
E vós sabeis perfeitamente que os artesãos de tais deuses são pessoas dissolutas, que vivem envoltas na maldade, o que não vou contar aqui em pormenores. Entre eles não faltam os que corrompem as escravas que trabalham ao lado deles.
É estupidez dizer que homens intemperantes fabricam e transformam deuses para ser adorados e que tais pessoas servem como guardas dos templos nos quais aqueles são colocados! E não percebem que é impiedade pensar ou dizer que os homens podem ser guardiões dos deuses!